Fio B em 2026: O Que É e Como Afeta Sua Conta de Luz

O Fio B é a parcela da tarifa de energia que remunera a infraestrutura de distribuição — postes, cabos e transformadores. Desde 7 de janeiro de 2023, com a Lei 14.300, ele passou a ser cobrado de forma escalonada sobre a energia solar injetada na rede: começou em 15% e, em 2026, chega a 60%, subindo até 100% em 2029. O efeito recai principalmente sobre quem tem painéis próprios.
O que é o Fio B na conta de luz
A conta de luz no Brasil é dividida em dois grandes blocos. O primeiro é a TE (Tarifa de Energia), que paga a geração e a compra da eletricidade em si. O segundo é a TUSD (Tarifa de Uso do Sistema de Distribuição), que paga o transporte dessa energia até a sua casa. O Fio B é o componente da TUSD que remunera especificamente a rede de baixa e média tensão da distribuidora — no Rio Grande do Sul, a RGE. Em termos simples, é o que você paga pelo uso dos fios que levam a eletricidade da rede até o seu medidor.
Até 2022, quem gerava energia solar e injetava o excedente na rede recebia créditos que abatiam o valor cheio do kWh, incluindo o Fio B. Na prática, o sistema funcionava como uma bateria gratuita: a rede armazenava o excedente sem cobrar pelo uso da infraestrutura. A Lei 14.300/2022, o Marco Legal da Geração Distribuída, mudou essa lógica ao determinar que o Fio B passasse a ser cobrado de forma gradual sobre a energia injetada e depois compensada.
Cronograma do Fio B: de 15% a 100% até 2029
A cobrança do Fio B não foi instantânea. A Lei 14.300 criou uma regra de transição com aumento de 15 pontos percentuais por ano, dando previsibilidade ao mercado. Segundo a Lei 14.300 e a regulamentação da ANEEL, este é o cronograma aplicado aos sistemas que pediram conexão a partir de 7 de janeiro de 2023:
| Ano | Percentual do Fio B cobrado sobre a energia injetada |
|---|---|
| 2023 | 15% |
| 2024 | 30% |
| 2025 | 45% |
| 2026 | 60% |
| 2027 | 75% |
| 2028 | 90% |
| 2029 | 100% (ANEEL define nova metodologia de valoração) |
A partir de 2029, a ANEEL passa a definir uma nova metodologia que tende a incorporar 100% do Fio B mais outras componentes da rede. Há uma exceção importante: os sistemas que protocolaram o pedido de conexão até 6 de janeiro de 2023 entraram em uma regra de transição mais branda e ficaram isentos da cobrança do Fio B sobre a energia injetada até 31 de dezembro de 2045, preservando o modelo antigo de compensação integral.
Por que o Fio B passou a ser cobrado
O fundamento da medida é o chamado subsídio cruzado. Quando um consumidor com painéis zera a própria conta usando a rede como armazenamento, ele continua dependendo da infraestrutura — à noite, em dias nublados e nos picos de consumo — mas deixava de pagar pela manutenção dela. Esse custo, segundo o regulador, acabava rateado entre os demais consumidores, inclusive aqueles que não têm condições de instalar energia solar. A cobrança progressiva do Fio B busca corrigir essa distorção: quem injeta energia passa a pagar uma parcela pelo uso real da rede. O Fio B remunera os custos de operação, manutenção e expansão de cabos, postes e transformadores da distribuidora.
Como o Fio B afeta a conta de luz na prática
Para um consumidor com painéis próprios, o Fio B significa que parte do crédito gerado deixa de cobrir o valor integral do kWh. O Fio B representa, em média, algo entre R$ 0,20 e R$ 0,30 por kWh na área da RGE, dependendo da classe e do grupo tarifário. Veja uma simulação do custo adicional anual gerado pela cobrança de 60% do Fio B em 2026, considerando um Fio B estimado em R$ 0,25/kWh sobre a energia injetada:
| Energia injetada/mês | Fio B cheio (R$ 0,25/kWh) | Cobrança 2026 (60%) | Custo extra mensal | Custo extra anual |
|---|---|---|---|---|
| 200 kWh | R$ 50,00 | R$ 30,00 | R$ 30,00 | R$ 360,00 |
| 400 kWh | R$ 100,00 | R$ 60,00 | R$ 60,00 | R$ 720,00 |
| 600 kWh | R$ 150,00 | R$ 90,00 | R$ 90,00 | R$ 1.080,00 |
| 1.000 kWh | R$ 250,00 | R$ 150,00 | R$ 150,00 | R$ 1.800,00 |
Esse é o valor que o dono de um sistema próprio deixa de economizar por causa do Fio B em 2026 — e que vai crescer ano a ano até 2029, quando a cobrança chega a 100%. Para um sistema de médio porte que injeta 400 kWh por mês, o custo acumulado da transição do Fio B entre 2026 e 2029 pode passar de R$ 3.500, alongando o tempo de retorno do investimento em meses ou até anos.
Fio B e energia solar por assinatura: por que o impacto é diferente
A energia solar por assinatura funciona pela modalidade de geração compartilhada, regulamentada pela Lei 14.300. Em vez de instalar painéis no próprio telhado, você recebe créditos de uma usina solar remota que abatem o consumo na sua fatura da RGE. A diferença crucial em relação ao Fio B é quem assume a complexidade da cobrança.
No modelo de assinatura da Plus Energy, é a usina geradora que lida com toda a engenharia tarifária do Fio B. O desconto oferecido ao assinante — de até 25% sobre o valor da energia — já considera o cronograma da Lei 14.300. Ou seja: enquanto o dono de painéis próprios vê sua economia encolher a cada aumento do Fio B, o assinante tem um desconto contratado e previsível, sem precisar recalcular nada, sem investimento inicial e sem risco regulatório. A transição do Fio B é um problema da usina, não seu.
Painéis próprios vs assinatura sob a regra do Fio B
O avanço do Fio B muda a conta de quem pensa em instalar um sistema próprio. Veja a comparação entre as duas formas de ter energia solar no cenário de 2026:
| Critério | Painéis próprios | Assinatura (geração compartilhada) |
|---|---|---|
| Investimento inicial | R$ 15 mil a R$ 25 mil | R$ 0 |
| Tempo de retorno | 5 a 7 anos (e crescendo com o Fio B) | Economia já no 1º mês |
| Impacto do Fio B | Direto: reduz a economia ano a ano | Absorvido pela usina; desconto fixo |
| Manutenção e seguro | Por conta do consumidor | Por conta da geradora |
| Obras no imóvel | Sim (telhado, inversor, medidor) | Nenhuma |
| Fidelidade / contrato longo | Equipamento por 25 anos | 100% digital, sem fidelidade |
Para quem aluga, mora em apartamento, tem pouco capital disponível ou simplesmente não quer lidar com a complexidade do Fio B, a assinatura se tornou a opção mais racional justamente por blindar o consumidor das mudanças regulatórias.
Impacto do Fio B no Rio Grande do Sul
No RS, o Fio B incide sobre uma tarifa que já está entre as mais altas do país. A tarifa média residencial da RGE gira em torno de R$ 0,85/kWh, e o último reajuste autorizado pela ANEEL foi de 12,39% em média, vigente até 18 de junho de 2026. A isso somam-se as bandeiras tarifárias: em junho de 2026, a ANEEL manteve a bandeira amarela, com acréscimo de R$ 1,885 a cada 100 kWh consumidos — cerca de R$ 3,77 a mais para quem consome 200 kWh e mais de R$ 9 para quem consome 500 kWh por mês.
O resultado é que, no RS, cada aumento do Fio B pesa mais no bolso do que na média nacional. Para o consumidor gaúcho, isso reforça o valor de travar um desconto previsível: enquanto a tarifa cheia da RGE sobe com reajustes, bandeiras e Fio B, o desconto da assinatura se aplica sobre o consumo, gerando economia proporcional mesmo em meses de bandeira vermelha.
Cenário da geração distribuída no Brasil em 2026
Mesmo com o avanço do Fio B, a geração distribuída segue em forte expansão. Segundo dados da ANEEL atualizados em fevereiro de 2026, o Brasil ultrapassou 44,1 GW de potência instalada em geração solar distribuída. De acordo com levantamento da ABSOLAR, são 3,87 milhões de sistemas conectados em 5.565 municípios, beneficiando quase 7 milhões de unidades consumidoras que recebem créditos de energia e cerca de 21 milhões de pessoas. A ABSOLAR projeta que o país alcance 75,9 GW de potência solar acumulada até o fim de 2026.
O dado revela um movimento claro: a cobrança do Fio B não freou a energia solar, mas mudou o perfil de quem entra no setor. Cresce a procura por modelos que diluem custo e risco — como a geração compartilhada por assinatura —, justamente porque eliminam a exposição individual à regra de transição tarifária.
Como garantir economia mesmo com o Fio B subindo
A boa notícia é que dá para continuar economizando na conta de luz mesmo com o Fio B em 60% e a caminho dos 100%. Veja o passo a passo para aderir à energia solar por assinatura com a Plus Energy:
- Etapa 1 — Simulação: envie uma conta de luz recente da RGE. A análise mostra, em minutos, quanto você pode economizar com base no seu consumo real.
- Etapa 2 — Contrato digital: a adesão é 100% online, sem visita técnica, sem obra e sem fidelidade. Você continua como cliente da RGE.
- Etapa 3 — Vinculação à usina: sua unidade consumidora passa a receber créditos de uma usina solar remota da rede Plus Energy, processo formalizado junto à distribuidora.
- Etapa 4 — Desconto na fatura: os créditos passam a abater seu consumo e você paga a fatura já com o desconto de até 25%, sem investimento inicial.
Veja uma simulação de quanto diferentes perfis de consumo economizam com o desconto da assinatura — economia que se mantém previsível independentemente do avanço do Fio B:
| Perfil | Consumo | Conta atual | Com Plus Energy | Economia mensal | Economia anual |
|---|---|---|---|---|---|
| Residencial pequeno | 200 kWh | R$ 170 | R$ 127,50 | R$ 42,50 | R$ 510 |
| Residencial médio | 400 kWh | R$ 340 | R$ 255 | R$ 85 | R$ 1.020 |
| Residencial alto | 600 kWh | R$ 510 | R$ 382,50 | R$ 127,50 | R$ 1.530 |
| Comercial | 1.200 kWh | R$ 1.020 | R$ 765 | R$ 255 | R$ 3.060 |
Dúvidas comuns sobre o Fio B
O Fio B encarece minha conta mesmo se eu não tiver painéis? Não diretamente. O Fio B na regra da Lei 14.300 incide sobre a energia injetada por quem gera a própria eletricidade. Quem não gera continua pagando a tarifa normal da RGE. Mas a lógica do subsídio cruzado significa que parte dos custos de rede já está embutida na tarifa de todos.
Se eu assinar energia solar agora, pago Fio B? Na assinatura por geração compartilhada, o Fio B incide sobre a usina geradora, não sobre você. O desconto contratado já considera esse custo, por isso ele é previsível e não muda quando o percentual sobe.
Vale a pena instalar painéis próprios em 2026? Depende do perfil. Com o Fio B em 60% e subindo, o tempo de retorno aumentou. Para quem tem capital, telhado adequado e consumo alto, ainda pode compensar. Para a maioria, a assinatura entrega economia imediata sem o risco da transição tarifária.
Perguntas frequentes
Dúvidas comuns sobre este tema
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